Tuesday, January 15, 2008

Fobia Social

O Carlos (nome fictício), sempre fora habituado a fazer as coisas com o apoio da mãe. Nada de anormal, pelo contrário, é óptimo contarmos com aqueles que mais gostam de nós. E a vida assim corria, mais ou menos fácil. Se o Carlos precisasse de algum documento do banco ou de uma qualquer loja, a mãe ia com ele, ou então ia ela sozinha para ele poder ficar no seu "mundo" com o computador.
Na escola, ou com os colegas, o Carlos é muito "caladinho"... de facto, ele até nunca teve muito jeito para ler as composições à turma, nem para apresentar os trabalhos de grupo. Não era como os irmãos, era como o pai dizia "este é o menos esperto... mais tímido!".
Mas ele lá foi andando, evitando sempre o desconforto de enfrentar algumas situações que o colocavam "em frente ao público". Sobretudo porque sabia desde pequeno que "não tinha tanto jeito como os outros" e porque, sempre que o teve de fazer (enfrentar os outros para apresentar algum comunicado, ou simplesmente fazer um pedido), as coisas não corriam lá muito bem: sentia-se mal, ficava ansioso, com as mãos a suar, falhava a voz, coração a 300 km/h, davam-lhe "brancas", enfim... o melhor era mesmo não tentar, e segurar-se ao que encontrava (na maioria das vezes, à calorosa mãe, que tudo faria pelo seu filho "mais tímido"...).
O Carlos foi crescendo. Nunca foi um aluno brilhante, mas safava-se. Conseguiu entrar para a faculdade. Curso de Informática, a sua grande paixão. Esses anos não foram fáceis. Era raro sair à noite, conheceu algumas pessoas novas, a maioria colegas de curso que lhe pediam apontamentos. No 3º ano, foi convocado para uma oral que decidiu não ir... Lá a fez por exame na época especial.
No último ano é que a coisa não correu lá muito bem: o Carlos fez as cadeiras todas, terminou o curso, a mãe tratou de ir à secretaria pedir o certificado e ele elaborou o seu curriculum para procurar um emprego. Mas o Carlos não estava bem... o Carlos estava apavorado!!! E agora? Temia sempre que via um anúncio de trabalho para a sua área. Chegou mesmo a tentar não os ver! E se o chamassem para uma entrevista? Ele não iria conseguir falar! Quem quer que fosse que o entrevistasse iria reparar na sua "inferioridade", ou então iria dar-lhe uma branca de certeza... isto se aguentasse disfaçar a ansiedade, as pernas a tremer, as mãos suadas... "não vou conseguir"...
O Carlos ainda não arranjou trabalho. Sofre porque tem medo do que possam achar dele se fôr exposto a algum "júri". De certa forma, receia ser humilhado...e sabe que há fortes probabilidades de isso acontecer, por de facto, é inferior. Continua a evitar, a "minimizar os danos" da sua ansiedade sempre que a situação se agudiza, com comportamentos de segurança que "disfarcem" o que sente... Mas ele sabe-o, ele já viu acontecer, as coisas correm-lhe mal quando tenta, há vários exemplos que ele nos poderia dar do seu "mau desempenho" em relação aos outros, com os outros...

A Fobia Social caracteriza-se pelo "medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais e de desempenho nas quais o sujeito está exposto a pessoas desconhecidas (...). O sujeito teme vir a comportar-se (ou mostrar sinais de ansiedade) e de modo humilhante ou embaraçador". Quando as enfrenta (situações sociais), fá-lo com grande desconforto (ansiedade, que pode mesmo revelar-se num ataque de pânico), pelo que é preferível evitá-las, acarretando com as consequências...
A Fobia Social pode, como vários problemas psicopatológicos, ser muito incapacitante, causar muito sofrimento.
Mas também pode ser "tratada"...

Wednesday, June 6, 2007

Mensagem de Boas Vindas

Devo apresentar-me.
Sou licenciado em Psicologia, pré-especialização em Psicologia clínica.

O que é isto?
Um espaço onde qualquer pessoa pode escrever, colocar questões, apresentar queixas, dúvidas, o que quiser, ou se preferir, ter uma consulta com o psicólogo, com as limitações "vituais" que este meio coloca, mas com a vantagem da expressão escrita, do "tempo da consulta" e de não ter de assinar com um nome.
Garanto a confidencialidade das mensagens, caso a pessoa prefira e garanto responder a todas as mensagens, aceitando incondicionalmente quaisquer conteúdos, religiões, valores, etnias, idades.

Gostava que este espaço pudesse ser lido com alguma informalidade, sem deixar de tratar o que é suposto, mas pedia atenção: um psicólogo não faz milagres! Pode ajudar nos níveis emocional, social e cognitivo (o que sentimos, como nos relacionamos, o que pensamos, de resto como nos comportamos), mas aqui não há receitas específicas - o que resulta para uns, resulta de maneira diferente para outros...
Portanto,
o psicólogo
ao vosso dispôr.