O Carlos (nome fictício), sempre fora habituado a fazer as coisas com o apoio da mãe. Nada de anormal, pelo contrário, é óptimo contarmos com aqueles que mais gostam de nós. E a vida assim corria, mais ou menos fácil. Se o Carlos precisasse de algum documento do banco ou de uma qualquer loja, a mãe ia com ele, ou então ia ela sozinha para ele poder ficar no seu "mundo" com o computador.
Na escola, ou com os colegas, o Carlos é muito "caladinho"... de facto, ele até nunca teve muito jeito para ler as composições à turma, nem para apresentar os trabalhos de grupo. Não era como os irmãos, era como o pai dizia "este é o menos esperto... mais tímido!".
Mas ele lá foi andando, evitando sempre o desconforto de enfrentar algumas situações que o colocavam "em frente ao público". Sobretudo porque sabia desde pequeno que "não tinha tanto jeito como os outros" e porque, sempre que o teve de fazer (enfrentar os outros para apresentar algum comunicado, ou simplesmente fazer um pedido), as coisas não corriam lá muito bem: sentia-se mal, ficava ansioso, com as mãos a suar, falhava a voz, coração a 300 km/h, davam-lhe "brancas", enfim... o melhor era mesmo não tentar, e segurar-se ao que encontrava (na maioria das vezes, à calorosa mãe, que tudo faria pelo seu filho "mais tímido"...).
O Carlos foi crescendo. Nunca foi um aluno brilhante, mas safava-se. Conseguiu entrar para a faculdade. Curso de Informática, a sua grande paixão. Esses anos não foram fáceis. Era raro sair à noite, conheceu algumas pessoas novas, a maioria colegas de curso que lhe pediam apontamentos. No 3º ano, foi convocado para uma oral que decidiu não ir... Lá a fez por exame na época especial.
No último ano é que a coisa não correu lá muito bem: o Carlos fez as cadeiras todas, terminou o curso, a mãe tratou de ir à secretaria pedir o certificado e ele elaborou o seu curriculum para procurar um emprego. Mas o Carlos não estava bem... o Carlos estava apavorado!!! E agora? Temia sempre que via um anúncio de trabalho para a sua área. Chegou mesmo a tentar não os ver! E se o chamassem para uma entrevista? Ele não iria conseguir falar! Quem quer que fosse que o entrevistasse iria reparar na sua "inferioridade", ou então iria dar-lhe uma branca de certeza... isto se aguentasse disfaçar a ansiedade, as pernas a tremer, as mãos suadas... "não vou conseguir"...
O Carlos ainda não arranjou trabalho. Sofre porque tem medo do que possam achar dele se fôr exposto a algum "júri". De certa forma, receia ser humilhado...e sabe que há fortes probabilidades de isso acontecer, por de facto, é inferior. Continua a evitar, a "minimizar os danos" da sua ansiedade sempre que a situação se agudiza, com comportamentos de segurança que "disfarcem" o que sente... Mas ele sabe-o, ele já viu acontecer, as coisas correm-lhe mal quando tenta, há vários exemplos que ele nos poderia dar do seu "mau desempenho" em relação aos outros, com os outros...
A Fobia Social caracteriza-se pelo "medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais e de desempenho nas quais o sujeito está exposto a pessoas desconhecidas (...). O sujeito teme vir a comportar-se (ou mostrar sinais de ansiedade) e de modo humilhante ou embaraçador". Quando as enfrenta (situações sociais), fá-lo com grande desconforto (ansiedade, que pode mesmo revelar-se num ataque de pânico), pelo que é preferível evitá-las, acarretando com as consequências...
A Fobia Social pode, como vários problemas psicopatológicos, ser muito incapacitante, causar muito sofrimento.
Mas também pode ser "tratada"...
Tuesday, January 15, 2008
Wednesday, June 6, 2007
Mensagem de Boas Vindas
Devo apresentar-me.
Sou licenciado em Psicologia, pré-especialização em Psicologia clínica.
O que é isto?
Um espaço onde qualquer pessoa pode escrever, colocar questões, apresentar queixas, dúvidas, o que quiser, ou se preferir, ter uma consulta com o psicólogo, com as limitações "vituais" que este meio coloca, mas com a vantagem da expressão escrita, do "tempo da consulta" e de não ter de assinar com um nome.
Garanto a confidencialidade das mensagens, caso a pessoa prefira e garanto responder a todas as mensagens, aceitando incondicionalmente quaisquer conteúdos, religiões, valores, etnias, idades.
Gostava que este espaço pudesse ser lido com alguma informalidade, sem deixar de tratar o que é suposto, mas pedia atenção: um psicólogo não faz milagres! Pode ajudar nos níveis emocional, social e cognitivo (o que sentimos, como nos relacionamos, o que pensamos, de resto como nos comportamos), mas aqui não há receitas específicas - o que resulta para uns, resulta de maneira diferente para outros...
Portanto,
o psicólogo
ao vosso dispôr.
Sou licenciado em Psicologia, pré-especialização em Psicologia clínica.
O que é isto?
Um espaço onde qualquer pessoa pode escrever, colocar questões, apresentar queixas, dúvidas, o que quiser, ou se preferir, ter uma consulta com o psicólogo, com as limitações "vituais" que este meio coloca, mas com a vantagem da expressão escrita, do "tempo da consulta" e de não ter de assinar com um nome.
Garanto a confidencialidade das mensagens, caso a pessoa prefira e garanto responder a todas as mensagens, aceitando incondicionalmente quaisquer conteúdos, religiões, valores, etnias, idades.
Gostava que este espaço pudesse ser lido com alguma informalidade, sem deixar de tratar o que é suposto, mas pedia atenção: um psicólogo não faz milagres! Pode ajudar nos níveis emocional, social e cognitivo (o que sentimos, como nos relacionamos, o que pensamos, de resto como nos comportamos), mas aqui não há receitas específicas - o que resulta para uns, resulta de maneira diferente para outros...
Portanto,
o psicólogo
ao vosso dispôr.
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